A vida é uma guerra!E até então ninguém se incomodou com isso. Todos os dias eu vejo o sangue escorrendo da televisão, o sangue sujando as minhas mãos todas as manhãs na hora do café. Paro, leio sobre os guerreiros, ainda na fase primata, lutam com paus e pedras, lutam por suas vidas, que quase não valem nada. E por trás disso o que deve haver? Homens com cuecas cheias preocupados com sua boa imagem no telão da elite. Enquanto isso o mundo se acaba ‘lá fora’, na vitória viva dos adversários: fome, a miséria, a falta de estudo, a falta de pensamento crítico, cansaço, medo,desilusão.
Eles se sobrepõem, mas não por serem mais fortes, é um briga desigual, aliás, o que por aqui é igual?
Água? Só nos restaram a das lágrimas, já disse o poeta. Incrivelmente, até o que é vital o ser humano já conseguiu colocar em risco de extinção, ora porque então esse inútil diferencial enquanto racionais? Desvairadamente se come tudo, come o caviar, come a ganância, o ouro, a jóia e o dinheiro. Devora-se a natureza, a vaidade, o descaso e a indiferença. Sim, estamos fartos. Também bebemos o suor do trabalhador escravo, as lágrimas das crianças cortando a cana, bebemos até ficar bêbados, se é que algum dia estivemos lúcidos.
Andamos correndo, criamos o relógio em uma tentativa de auto-escravização. Corremos contra o tempo. O que é o tempo? Não, corremos a favor do lucro, corremos para a linha de chegada, aquela em que se está escrito CAPITALISMO SELVAGEM.
E depois da chegada nos perdemos, no vazio em que fomos criando ao longo da trajetória, esquecemos o que é ser cidadão, o que é viver em sociedade, valores que não voltam mais, que ficaram pra trás.
O que assusta agora é o que dói depois, giramos antes da Terra e nem gozamos da brisa do giro, depois entramos em depressão, conflito existencial, ou qualquer outro apelido que queira ser dado ao remorso de viver por futilidades, de matar o outro, de matar a si mesmo, de matar o mundo, de tornar-se um assassino dos sonhos.
Eu grito e ninguém ouve! Mas como podem ouvir (?) se o MP3 não os deixa? Perdemos o diálogo e aí já começamos definhar se era o outro que nos lembrava como é bom sentir felicidade, agora a multidão sozinha se deprime se oprime e se diluí.
Ultimamente tenho fugido dos paradigmas, a começar por este que escrevo sem conclusão, aliás o final ninguém sabe, mora dentro de mim e dentro de você, e só você o sabe ler em mim e só eu sei ler em você.E então? Estamos com muita pressa agora, o som da tecnologia não me deixa te ouvir, a hipocrisia nos afasta e viver se tornou cada vez mais utópico.
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