Muito mais que sons, as palavras são essência! Proferidas a todo o instante, as palavras assumem a função de integrar e comunicar propiciando a reflexão do cidadão e formação de uma postura crítica. Não obstante, assimilam valores enquanto propulsoras do conhecimento e da informação que, diga-se de passagem, disseminam-se de forma democrática Simultaneamente, esses vocábulos trazem inerentes a si a capacidade dúbia e subjetiva, que originam as sátiras, ironias, sarcasmos e escárnios tão comuns na literatura brasileira.
Mediante essas afirmações, deve-se reconhecer o papel fundamental da palavra em si, sendo que esta carrega considerável parte do mérito referente à evolução humana. Responsável pelo diálogo, do mais simples ao mais complexo, possibilita o ser humano a externar suas idéias e conflitos a fim de entender-se a si mesmo, o outro e o conjunto que o permite a vida, reflexões estas constantemente em xeque tanto na cética ciência, quanto na subjetiva filosofia.
Face a essa conjuntura entende-se que a palavra tal como um instrumento de reflexão, crítica e crescimento intelecto-moral do homem, tem função ainda mais profunda, isto é, propagar o conhecimento de forma a abranger todos conhecedores do código cada qual com sua história e experiência de vida, o que faz da linguagem verbal antes de tudo, democrática e abre um leque de interpretações.Isso, por sua vez, se dá devido a multiplicidade de vocábulos e maneiras de organizá-los de modo a atender às necessidade de cada público, transmitindo assim, sem distinção, o conhecimento ou informação.
Ainda em relação a abundância da linguagem verbal, admite-se interessantes formas de ambigüidade, explorando as mais diversas figuras de linguagem e resultando em criações ímpares de ironias e textos satíricos capazes de incomodar a sociedade de tal forma que esta se modifique ou encontre recursos para sanar deficiências econômicas, sociais ou culturais e promova a elevação da moral, da ética e por conseguinte da capacidade crítica do ser humano.
Tornemo-nos mais metalingüísticos! É indispensável a análise depurada daquilo que a humanidade profere dia a dia. As palavras não mentem, as interpretações é que as deturpam e que as utiliza em virtude de um objetivo particular, portanto é inexorável a necessidade de cada cidadão desenvolver-se criticamente a fim de refletir as palavras alheias e evitar posicionamentos passivos, omissos e alienados assumidos por aqueles que não possuem o domínio da linguagem verbal. Ademais,tomemos as palavras como alimento para ânsias da alma questionadora do homem, que informa, que integra e que traduz “esse móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano” (palavras de Cecília Meireles).
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Um dia triste...
A mágoa que me dá é que as pessoas simplesmente não entendem!
Não entendem o quanto você as ama, nem o que é capaz por elas.
Não compreendem que você é fraco, que é falho mas que também merece perdão.
Não entendem que seus erros foram frutos de uma tentativa de acerto.
Não percebem que você diz não, quando tudo que queria era um abraço.
Não reconhecem que risadas também são de desespero.
Não compreendem que muitas vezes você vai embora só que nunca deixou de estar lá.
Não entendem que utopias, são só situações que desistimos de acreditar.
Não percebem que o beijo virou puramente saliva e relacionamentos ficção.
Elas preferem dormir com rancor a ter que olhar nos seus olhos outra vez.
Preferem fazer as coisas a sós, a ter você ao lado fazendo seus comentários.
As pessoas simplesmente não se suportam.
Às vezes tudo não passa de um jogo de interesse, você vale até que não seja mais útil.
As pessoas não entendem que a renúncia também é amor.
Taxam de covardes os que não arriscam para não vê-las sofrerem.
Todos desconfiamos de tudo, ainda que se prove o contrário.
Estamos sempre na defensiva, e o escudo é a própria vida!
Aceitamos as coisas como são, somente porque se constatou que não dá mais pra mudar.
Xingamos, mas não passamos de palavras, meros vocábulos vazios.
E então nos perguntamos o que fazer, mas não ultrapassamos os questionamentos.
Sim, essa é uma realidade sufocante. Nós não respiramos com os pulmões, somos máquinas que respiramos gases nocivos. E isso sinceramente tornou-se um hábito.
As pessoas não mudam porque não entendem nada. Protestam mas nem sempre conscientes. Unicamente porque não entendem a si mesmas, não entendem uns aos outros então fica difícil entender o sistema do qual compartilhamos.
Há quem diga que entender nos deixaria loucos, todavia deveríamos preferir a insanidade à negligência. Não é o que ocorre.
Não, eu não tenho a resignação dos fracos. Ou a compaixão dos cristãos.
Tudo que tenho é um sim, um não, uma linha reta, um objetivo (Nietzsche)
Não as entendo, porque sou uma delas.
Mas entendo que isso não pode continuar, porém continuo somente no ‘entender’.
A mágoa que me dá é que as pessoas simplesmente não querem!
Não entendem o quanto você as ama, nem o que é capaz por elas.
Não compreendem que você é fraco, que é falho mas que também merece perdão.
Não entendem que seus erros foram frutos de uma tentativa de acerto.
Não percebem que você diz não, quando tudo que queria era um abraço.
Não reconhecem que risadas também são de desespero.
Não compreendem que muitas vezes você vai embora só que nunca deixou de estar lá.
Não entendem que utopias, são só situações que desistimos de acreditar.
Não percebem que o beijo virou puramente saliva e relacionamentos ficção.
Elas preferem dormir com rancor a ter que olhar nos seus olhos outra vez.
Preferem fazer as coisas a sós, a ter você ao lado fazendo seus comentários.
As pessoas simplesmente não se suportam.
Às vezes tudo não passa de um jogo de interesse, você vale até que não seja mais útil.
As pessoas não entendem que a renúncia também é amor.
Taxam de covardes os que não arriscam para não vê-las sofrerem.
Todos desconfiamos de tudo, ainda que se prove o contrário.
Estamos sempre na defensiva, e o escudo é a própria vida!
Aceitamos as coisas como são, somente porque se constatou que não dá mais pra mudar.
Xingamos, mas não passamos de palavras, meros vocábulos vazios.
E então nos perguntamos o que fazer, mas não ultrapassamos os questionamentos.
Sim, essa é uma realidade sufocante. Nós não respiramos com os pulmões, somos máquinas que respiramos gases nocivos. E isso sinceramente tornou-se um hábito.
As pessoas não mudam porque não entendem nada. Protestam mas nem sempre conscientes. Unicamente porque não entendem a si mesmas, não entendem uns aos outros então fica difícil entender o sistema do qual compartilhamos.
Há quem diga que entender nos deixaria loucos, todavia deveríamos preferir a insanidade à negligência. Não é o que ocorre.
Não, eu não tenho a resignação dos fracos. Ou a compaixão dos cristãos.
Tudo que tenho é um sim, um não, uma linha reta, um objetivo (Nietzsche)
Não as entendo, porque sou uma delas.
Mas entendo que isso não pode continuar, porém continuo somente no ‘entender’.
A mágoa que me dá é que as pessoas simplesmente não querem!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Efemeridade
Houve quem se atreveu a falar,
Aí então se fez o diálogo.
Houve quem se atreveu a chorar,
Aí então nasceram as lágrimas.
Houve quem se atreveu a pensar,
Daí então se fez a dúvida.
Houve quem se atreveu a apaixonar,
Daí então se fez o ato.
Houve quem se atreveu a matar
Aí então se deu o fato.
Houve quem se atreveu a pintar,
Aí então surgiram as cores.
Houve quem se atreveu a se importar,
Aí então apareceram as dores.
Houve quem se atreveu a plantar,
Aí então nasceram as flores.
Houve quem se atreveu a rezar,
Aí então nasceu Alá.
Houve quem se atreveu a protestar,
Daí então surgiu o grito.
Houve quem se atreveu a contar,
Daí então surgiu o mito.
Houve quem se atreveu a calar,
Daí então se fez o silêncio.
Houve quem se atreveu experimentar,
Aí então veio a ousadia.
Houve quem se atreveu a ser herói,
Ai então inventaram a alegria.
Houve quem se atreveu a esquecer,
Aí então se fez o remorso.
Houve quem se atreveu a casar,
Aí então surgiu o divórcio.
Mas houve quem se atreveu a amar,
Daí então nasceu o homem.
Aí então se fez o diálogo.
Houve quem se atreveu a chorar,
Aí então nasceram as lágrimas.
Houve quem se atreveu a pensar,
Daí então se fez a dúvida.
Houve quem se atreveu a apaixonar,
Daí então se fez o ato.
Houve quem se atreveu a matar
Aí então se deu o fato.
Houve quem se atreveu a pintar,
Aí então surgiram as cores.
Houve quem se atreveu a se importar,
Aí então apareceram as dores.
Houve quem se atreveu a plantar,
Aí então nasceram as flores.
Houve quem se atreveu a rezar,
Aí então nasceu Alá.
Houve quem se atreveu a protestar,
Daí então surgiu o grito.
Houve quem se atreveu a contar,
Daí então surgiu o mito.
Houve quem se atreveu a calar,
Daí então se fez o silêncio.
Houve quem se atreveu experimentar,
Aí então veio a ousadia.
Houve quem se atreveu a ser herói,
Ai então inventaram a alegria.
Houve quem se atreveu a esquecer,
Aí então se fez o remorso.
Houve quem se atreveu a casar,
Aí então surgiu o divórcio.
Mas houve quem se atreveu a amar,
Daí então nasceu o homem.
Imprensa: veículo propulsor da verdade!
A Imprensa ocupa o quarto poder. Essencial para o mundo democrático, a imprensa é o veículo pelo qual são divulgadas informações que contemplam assuntos variados de cunho imparcial. Entretanto essa realidade é cada vez mais distante, posto que, a liberdade de imprensa é duvidosa, já que impõe limites aos jornalistas que restringem as informações conforme os interesses em pauta. Face a essa conjuntura, é perceptível a inversão do papel da Imprensa, que ao passo de construir um juízo de valor em seus leitores tem optado pela alienação dos mesmos e direcionamento de opiniões. Ainda em relação a essa manipulação de informações está fielmente agregado o Governo, que quando não desvia verba de órgãos públicos para fins publicitários, corrompe a imprensa em virtude da manutenção de uma boa imagem.
A liberdade de imprensa aproxima-se de um mito. Tal afirmação se baseia nas duras limitações que sofrem os jornalistas ao redigirem textos referentes a classe dominadora de modo geral. As críticas expostas na imprensa custam, lastimavelmente, a própria vida de seus autores, portanto, trata-se muito mais de um modelo ditatorial camuflado, onde as palavras são minuciosamente escolhidas ou mesmo omitidas.
Não obstante, a capacidade de alienação por parte dos jornalistas é evidente. O diploma do curso de jornalismo torna-se inválido, visto que, corrompeu-se a ética e o senso crítico deformando opiniões que induzem o leitor a acreditar em verdades manipuladas. Essa atitude, por sua vez, colabora na construção de uma sociedade passiva e omissa, incapaz de construir um juízo de valor negligenciado pela própria imprensa que uma vez corrompida, não assume o seu papel.
Nesse contexto, o veículo de informação passa a atuar como “marionete” do Governo e seu jogo de interesses que, por conseguinte, eleva a freqüência com que se observa a publicidade e propaganda governamental. Além disso, a verba que a sustenta está na casa dos bilhões, o que contradiz drasticamente com a situação caótica da educação, e miséria pertinente em muitos países. Outrossim, a sociedade assume uma posição alheia e vulnerável às diretrizes governamentais, uma vez que, ao confiarem na imprensa cegamente, elegem erroneamente representantes, agravando os problemas econômicos e sociais.
A imprensa deve reassumir sua postura! É certo e primordial que se homenageie a Imprensa nessa data em que se comemora seu dia internacional, já que é inexorável o seu papel exclusivo de veicular informações que circundem o mundo de maneira quase instantânea. Todavia, em última instância, é fundamental que ela, portadora de tamanha responsabilidade, seja dirigida por jornalistas e profissionais afins competentes o suficiente para não subjugá-la a interesses de uma minoria, garantindo a construção de um juízo de valor na sociedade que a permita evoluir em termos materiais e éticos. Afinal, quando a imprensa não pensa, o povo padece.
A liberdade de imprensa aproxima-se de um mito. Tal afirmação se baseia nas duras limitações que sofrem os jornalistas ao redigirem textos referentes a classe dominadora de modo geral. As críticas expostas na imprensa custam, lastimavelmente, a própria vida de seus autores, portanto, trata-se muito mais de um modelo ditatorial camuflado, onde as palavras são minuciosamente escolhidas ou mesmo omitidas.
Não obstante, a capacidade de alienação por parte dos jornalistas é evidente. O diploma do curso de jornalismo torna-se inválido, visto que, corrompeu-se a ética e o senso crítico deformando opiniões que induzem o leitor a acreditar em verdades manipuladas. Essa atitude, por sua vez, colabora na construção de uma sociedade passiva e omissa, incapaz de construir um juízo de valor negligenciado pela própria imprensa que uma vez corrompida, não assume o seu papel.
Nesse contexto, o veículo de informação passa a atuar como “marionete” do Governo e seu jogo de interesses que, por conseguinte, eleva a freqüência com que se observa a publicidade e propaganda governamental. Além disso, a verba que a sustenta está na casa dos bilhões, o que contradiz drasticamente com a situação caótica da educação, e miséria pertinente em muitos países. Outrossim, a sociedade assume uma posição alheia e vulnerável às diretrizes governamentais, uma vez que, ao confiarem na imprensa cegamente, elegem erroneamente representantes, agravando os problemas econômicos e sociais.
A imprensa deve reassumir sua postura! É certo e primordial que se homenageie a Imprensa nessa data em que se comemora seu dia internacional, já que é inexorável o seu papel exclusivo de veicular informações que circundem o mundo de maneira quase instantânea. Todavia, em última instância, é fundamental que ela, portadora de tamanha responsabilidade, seja dirigida por jornalistas e profissionais afins competentes o suficiente para não subjugá-la a interesses de uma minoria, garantindo a construção de um juízo de valor na sociedade que a permita evoluir em termos materiais e éticos. Afinal, quando a imprensa não pensa, o povo padece.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Inédito
Eu quero falar...
Coisas das quais não tenho coragem...
Fazer aquilo que me esquivo...
Sonhar com o que receio...
Quero deitar a cabeça, tranqüilo...
Não me arrepender daquilo...
Afinal, por que você não veio ?
Quero apenas pensar na morte,
Como um começo...
De uma vida que não possui fim.
Quero correr dos meus segredos,
Quero guardar poucas palavras pra mim.
Afinal, vocábulos não fazem sentido!
Quero te entender como um mito.
Minto!
Quero entender o que sinto.
Grito!
Perceber porque minto...
Repito!
Quero sentir o meu íntimo...
Esse infinito particular!
Coisas das quais não tenho coragem...
Fazer aquilo que me esquivo...
Sonhar com o que receio...
Quero deitar a cabeça, tranqüilo...
Não me arrepender daquilo...
Afinal, por que você não veio ?
Quero apenas pensar na morte,
Como um começo...
De uma vida que não possui fim.
Quero correr dos meus segredos,
Quero guardar poucas palavras pra mim.
Afinal, vocábulos não fazem sentido!
Quero te entender como um mito.
Minto!
Quero entender o que sinto.
Grito!
Perceber porque minto...
Repito!
Quero sentir o meu íntimo...
Esse infinito particular!
Um grito mudo para uma resposta surda!
A vida é uma guerra!E até então ninguém se incomodou com isso. Todos os dias eu vejo o sangue escorrendo da televisão, o sangue sujando as minhas mãos todas as manhãs na hora do café. Paro, leio sobre os guerreiros, ainda na fase primata, lutam com paus e pedras, lutam por suas vidas, que quase não valem nada. E por trás disso o que deve haver? Homens com cuecas cheias preocupados com sua boa imagem no telão da elite. Enquanto isso o mundo se acaba ‘lá fora’, na vitória viva dos adversários: fome, a miséria, a falta de estudo, a falta de pensamento crítico, cansaço, medo,desilusão.
Eles se sobrepõem, mas não por serem mais fortes, é um briga desigual, aliás, o que por aqui é igual?
Água? Só nos restaram a das lágrimas, já disse o poeta. Incrivelmente, até o que é vital o ser humano já conseguiu colocar em risco de extinção, ora porque então esse inútil diferencial enquanto racionais? Desvairadamente se come tudo, come o caviar, come a ganância, o ouro, a jóia e o dinheiro. Devora-se a natureza, a vaidade, o descaso e a indiferença. Sim, estamos fartos. Também bebemos o suor do trabalhador escravo, as lágrimas das crianças cortando a cana, bebemos até ficar bêbados, se é que algum dia estivemos lúcidos.
Andamos correndo, criamos o relógio em uma tentativa de auto-escravização. Corremos contra o tempo. O que é o tempo? Não, corremos a favor do lucro, corremos para a linha de chegada, aquela em que se está escrito CAPITALISMO SELVAGEM.
E depois da chegada nos perdemos, no vazio em que fomos criando ao longo da trajetória, esquecemos o que é ser cidadão, o que é viver em sociedade, valores que não voltam mais, que ficaram pra trás.
O que assusta agora é o que dói depois, giramos antes da Terra e nem gozamos da brisa do giro, depois entramos em depressão, conflito existencial, ou qualquer outro apelido que queira ser dado ao remorso de viver por futilidades, de matar o outro, de matar a si mesmo, de matar o mundo, de tornar-se um assassino dos sonhos.
Eu grito e ninguém ouve! Mas como podem ouvir (?) se o MP3 não os deixa? Perdemos o diálogo e aí já começamos definhar se era o outro que nos lembrava como é bom sentir felicidade, agora a multidão sozinha se deprime se oprime e se diluí.
Ultimamente tenho fugido dos paradigmas, a começar por este que escrevo sem conclusão, aliás o final ninguém sabe, mora dentro de mim e dentro de você, e só você o sabe ler em mim e só eu sei ler em você.E então? Estamos com muita pressa agora, o som da tecnologia não me deixa te ouvir, a hipocrisia nos afasta e viver se tornou cada vez mais utópico.
Eles se sobrepõem, mas não por serem mais fortes, é um briga desigual, aliás, o que por aqui é igual?
Água? Só nos restaram a das lágrimas, já disse o poeta. Incrivelmente, até o que é vital o ser humano já conseguiu colocar em risco de extinção, ora porque então esse inútil diferencial enquanto racionais? Desvairadamente se come tudo, come o caviar, come a ganância, o ouro, a jóia e o dinheiro. Devora-se a natureza, a vaidade, o descaso e a indiferença. Sim, estamos fartos. Também bebemos o suor do trabalhador escravo, as lágrimas das crianças cortando a cana, bebemos até ficar bêbados, se é que algum dia estivemos lúcidos.
Andamos correndo, criamos o relógio em uma tentativa de auto-escravização. Corremos contra o tempo. O que é o tempo? Não, corremos a favor do lucro, corremos para a linha de chegada, aquela em que se está escrito CAPITALISMO SELVAGEM.
E depois da chegada nos perdemos, no vazio em que fomos criando ao longo da trajetória, esquecemos o que é ser cidadão, o que é viver em sociedade, valores que não voltam mais, que ficaram pra trás.
O que assusta agora é o que dói depois, giramos antes da Terra e nem gozamos da brisa do giro, depois entramos em depressão, conflito existencial, ou qualquer outro apelido que queira ser dado ao remorso de viver por futilidades, de matar o outro, de matar a si mesmo, de matar o mundo, de tornar-se um assassino dos sonhos.
Eu grito e ninguém ouve! Mas como podem ouvir (?) se o MP3 não os deixa? Perdemos o diálogo e aí já começamos definhar se era o outro que nos lembrava como é bom sentir felicidade, agora a multidão sozinha se deprime se oprime e se diluí.
Ultimamente tenho fugido dos paradigmas, a começar por este que escrevo sem conclusão, aliás o final ninguém sabe, mora dentro de mim e dentro de você, e só você o sabe ler em mim e só eu sei ler em você.E então? Estamos com muita pressa agora, o som da tecnologia não me deixa te ouvir, a hipocrisia nos afasta e viver se tornou cada vez mais utópico.
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