segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Palavras: códigos que mentem?

Muito mais que sons, as palavras são essência! Proferidas a todo o instante, as palavras assumem a função de integrar e comunicar propiciando a reflexão do cidadão e formação de uma postura crítica. Não obstante, assimilam valores enquanto propulsoras do conhecimento e da informação que, diga-se de passagem, disseminam-se de forma democrática Simultaneamente, esses vocábulos trazem inerentes a si a capacidade dúbia e subjetiva, que originam as sátiras, ironias, sarcasmos e escárnios tão comuns na literatura brasileira.
Mediante essas afirmações, deve-se reconhecer o papel fundamental da palavra em si, sendo que esta carrega considerável parte do mérito referente à evolução humana. Responsável pelo diálogo, do mais simples ao mais complexo, possibilita o ser humano a externar suas idéias e conflitos a fim de entender-se a si mesmo, o outro e o conjunto que o permite a vida, reflexões estas constantemente em xeque tanto na cética ciência, quanto na subjetiva filosofia.
Face a essa conjuntura entende-se que a palavra tal como um instrumento de reflexão, crítica e crescimento intelecto-moral do homem, tem função ainda mais profunda, isto é, propagar o conhecimento de forma a abranger todos conhecedores do código cada qual com sua história e experiência de vida, o que faz da linguagem verbal antes de tudo, democrática e abre um leque de interpretações.Isso, por sua vez, se dá devido a multiplicidade de vocábulos e maneiras de organizá-los de modo a atender às necessidade de cada público, transmitindo assim, sem distinção, o conhecimento ou informação.
Ainda em relação a abundância da linguagem verbal, admite-se interessantes formas de ambigüidade, explorando as mais diversas figuras de linguagem e resultando em criações ímpares de ironias e textos satíricos capazes de incomodar a sociedade de tal forma que esta se modifique ou encontre recursos para sanar deficiências econômicas, sociais ou culturais e promova a elevação da moral, da ética e por conseguinte da capacidade crítica do ser humano.
Tornemo-nos mais metalingüísticos! É indispensável a análise depurada daquilo que a humanidade profere dia a dia. As palavras não mentem, as interpretações é que as deturpam e que as utiliza em virtude de um objetivo particular, portanto é inexorável a necessidade de cada cidadão desenvolver-se criticamente a fim de refletir as palavras alheias e evitar posicionamentos passivos, omissos e alienados assumidos por aqueles que não possuem o domínio da linguagem verbal. Ademais,tomemos as palavras como alimento para ânsias da alma questionadora do homem, que informa, que integra e que traduz “esse móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano” (palavras de Cecília Meireles).

Um comentário:

  1. e a linguagem segue seu próprio caminho,
    talvez seja essa a chave das coisas,
    porque pensamos estar no comando,
    se a fala sai é de nos,
    mas não vemos,
    fomos conduzidos pela fala
    como toda uma grande sistemática
    uma matriz,
    com seus significados e significantes...
    seu modo de vida e organização...
    querem desbravadores domina-la ou não,
    hão de por ela serem dominados...
    basta atirar a primeira pedra...
    e basta que isso pareça loucura...

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